Trem Turístico Rio Minas passará por Volta Grande

Limpeza das ruas está sendo feita por etapas
29 de janeiro de 2017

O batizado “Trem Rio Minas” ligará a cidade fluminense de Três Rios, até a mineira Cataguases, passando por Sapucaia, no Rio, Chiador, Além Paraíba, Volta Grande, Leopoldina e Recreio, em Minas Gerais. Serão 187 quilômetros de viagem sobre a malha ferroviária, num passeio que irá durar cinco horas, ida e volta.

A iniciativa do projeto é da Oscip Amigos do Trem, de Juiz de Fora, que até o momento já foi abraçado por diversas prefeituras, empresários, voluntários e autoridades de diversos setores dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. A composição terá duas locomotivas, quatro vagões e dois carros-restaurantes, que formarão o primeiro trem turístico interestadual do Brasil. Ela irá operar pela malha ferroviária explorada pela VLI – Valor Logística Integrada, pertencente ao Grupo Vale, e que desde 31 de julho está inoperante, devido ao fim dos carregamentos de bauxita (um tipo de pedra) que eram feitos pela concessionária.

Vagão em recuperação - reproduçãoCedidos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), os equipamentos, da década de 1970, oriundos da Fábrica Santa Matilde, estão sem utilidade desde a sua desativação. Segundo o presidente da Oscip, e idealizador da iniciativa, o projeto já foi protocolado. “Já protocolamos o projeto técnico operacional no Ministério dos Transportes e na Ferrovia Centro-Atlântica, operada pelo VLI”, diz Paulo Henrique Nascimento.

Estudos feitos pela Oscip apontam que, por viagem, serão transportados até 240 passageiros, em um passeio que inicialmente acontecerá apenas nos finais de semana, e custará entre R$ 40 e R$ 50 por pessoa.

Paisagens, cachoeiras, fazendas, casarios históricos, hidrelétricas, lagos e a tranquilidade característica das regiões Centro-Sul fluminense e Zona da Mata mineira estarão no roteiro da viagem. Os turistas que percorrerão a região presenciarão uma mescla do antigo com a modernidade, de casas e estações de época, com novas e modernas construções, como é o caso da cidade de Três Rios. A cidade que perdeu a sua estação ferroviária com o passar dos anos e a chegada do progresso, estuda um projeto inovador de construção do primeiro terminal rodo-ferroviário do país, juntamente ao já existente Terminal Rodoviário Municipal. “Estamos consolidando, juntos, sem vaidades, um grande projeto, que, além de interligar cidades dos dois estados, contribuirá para alavancar o turismo, o desenvolvimento econômico e social, e a preservação do patrimônio público ferroviário”, disse o prefeito de Três Rios, Vinicius Farah.

Segundo a Oscip Amigos do Trem, o projeto vai gerar 500 empregos diretos e indiretos. “São pessoas que vão trabalhar no trem, na sua manutenção, nas estações de embarque e desembarque, e nas lojas de artesanatos. O projeto fortalecerá também a agricultura familiar e chamada Economia Solidária. Homens e mulheres do campo terão nos restaurantes do trem, uma feira móvel, com artesanatos e produtos da culinária dos dois estados em estandes”, adianta Paulo Henrique Nascimento.

“Considerando o contexto de declínio social e econômico das últimas décadas na região, o Trem da Terra ajudará a recompor o cenário econômico”, diz, otimista, o prefeito Fernando Donzeles, de Além Paraíba, lembrando que as estações serão transformadas em pontos de comércio e atrações culturais.

Vagão em recuperação - divulgação Amigos do TremA recuperação dos vagões já está em fase final, de acordo com a “Amigos do Trem”, a meta agora é conseguir a autorização para o transporte de passageiros no ramal que está sob concessão da Ferrovia Centro-Atlântica, e que possui autorização exclusivamente para o transporte ferroviário de cargas. Segundo José Osvaldo Cruz, gerente de Relações Institucionais da ferrovia, os estudos estão sendo acompanhados de perto.

“Visando auxiliar os autores da iniciativa, a concessionária repassou orientações sobre projeto especifico para tal transporte (de passageiros) e obtenção das autorizações legais junto aos órgãos reguladores do sistema”, diz um trecho de uma nota emitida pela Ferrovia Centro-Atlântica sobre o caso. A meta da Oscip é de que até o final do primeiro semestre deste ano o “Trem da Terra” já esteja em operação.

E a ideia de voltar no tempo e passear pelos trilhos parece que está tomando conta da região, além de estar se tornando uma alternativa para municípios e iniciativas privadas para alavancarem a economia regional. E, segundo a Oscip, há centenas de trens inoperantes pelo país necessitando de reforma para entrar em operação. “A União nunca esteve tão interessada na reativação deles, por isso temos insistido em parcerias”, ressalta Paulo Henrique.

Graças às parcerias, uma luxuosa Litorina (vagão com motor próprio), fabricada nos Estados Unidos há 57 anos, foi reformada e entrará em operação no final do ano em Miguel Pereira, batizada de Miguelina, a Litorina percorrerá a cidade fortalecendo o turismo.

Outra composição, o famoso Trem de Prata, que, por 40 anos ligou São Paulo ao Rio e parou em 1998, também está sendo reformada. Os vagões têm poltronas individuais e cabines-dormitórios, como um hotel. Recentemente o governo do Rio autorizou estudos para a utilização do Trem de Prata na possível reativação de mais dois circuitos para lazer, que ligarão as cidades de Miguel Pereira, Vassouras, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, além de Lídice (Rio Claro) e Angra dos Reis.

 

A rota do Trem da Terra nos trilhos

 

Cataguases

Estação de Cataguases - reproduçãoCom pouco mais de 75 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE de 2015, Cataguases é um município mineiro fundado em 1877 por Guido Thomas Marllière. Ele fora enviado à região com o objetivo de realizar trabalhos referentes a povoação da área, caracterizada por abundância em diamantes, nunca efetivamente encontrados.

Não apenas Marllière participou da construção da cidade, uma vez que o município recebeu também imenso apoio de estruturação vindo da família Vieira, instalada nas localidades atualmente denominadas Glória e Sereno – distritos de Cataguases, com a fundação das fazendas Glória, no distrito de mesmo nome, e a fazenda do Rochedo, nas proximidades do distrito de Sereno.

A denominação Cataguases causa controvérsias quanto ao verdadeiro sentido: uns alegam ser o nome escolhido por José Vieira em homenagem ao riacho que banhava a casa dele e possuía este nome em sua cidade natal (atual cidade de Prado). Para alguns o nome significa “terra de gente boa”, para outros é “povo que mora no país das matas”.

 

Recreio

Com pouco mais de 10 mil habitantes,segundo dados de2010 do IBGE, Recreio é um município calmo e acolhedor que oferece muitas opções de turismo, lazer e descanso. A cidade fica localizada na Zona da Mata Mineira e na Microrregião da Mata de Cataguases.

Com o traçado da estrada de ferro Leopoldina alterado, por volta de 1870, deslocando-se em direção à fazenda do Mato Dentro, foi inaugurada oficialmente a estação local em 1876. Nas adjacências da estação foi erguida a capela do Menino Deus de Recreio e ali desenvolveu-se o povoado, elevado a distrito em 1890. Desmembrado de Leopoldina, Recreio emancipou-se em 1938.

 

Leopoldina

Pertencente à Zona da Mata Mineira, Leopoldina é um município localizado a sudeste da capital do estado de Minas Gerais. Sua população, segundo o IBGE de 2015 era de pouco mais de 53 mil habitantes.

O município teve sua emancipação política em 1854. Seu nome é uma homenagem à princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon, filha do Imperador D. Pedro II. Hoje é formado pelo distrito-sede e pelos distritos de Abaíba, Piacatuba, Providência, Ribeiro Junqueira e Tebas. A cidade, à época do ciclo do café, foi uma das mais importantes da antiga província de Minas Gerais.  Atualmente sua economia se apoia na pecuária leiteira, no cultivo de arroz e no setor de serviços.

 

Volta Grande

Estação de Volta grande - reproduçãoPouco mais de 5 mil habitantes, segundo dados do IBGE de 2004, essa é a população da pequena Volta Grande, em Minas Gerais. Foi lá que nasceu o cineasta Humberto Mauro.

O município se originou de um povoado formado em 1835 e que foi elevado a distrito do município de Além Paraíba em 1891. Sua emancipação ocorreu em 1938.

 

Além Paraíba

Além Paraíba é um município  do interior do estado de Minas Gerais, na divisa com o estado do Rio de Janeiro. De acordo com o censo realizado pelo IBGE em 2010, sua população é de pouco mais de 35 mil habitantes.

Coberta pela Mata Atlântica e habitada pelos índios Puris, a região, onde hoje se situa a cidade, era conhecida somente por tropeiros vindos da Côrte até fins do século XVIII. Com o descobrimento de minerais preciosos nas redondezas, intensificou-se a travessia do Rio Paraíba do Sul. Por volta de 1784 às margens do mesmo rio, um cais de madeira foi denominado de Porto do Cunha. A então Vila, em 1880, foi transformada por lei no distrito que recebeu a denominação de São José de Além Paraíba e apenas em 1883 foi elevada à categoria de cidade. Em 1923 passou a ter o nome atual.

 

Chiador

Com quase 3mil habitantes, segundo dados de 2004 do IBGE, Chiador é um município  de Minas Gerais, situado na Zona da Mata. Sua economia se baseia na pequena lavoura (cana-de-açúcar, feijão e milho) e na pecuária bovina leiteira.

O município possui cinco distritos: Sapucaia de Minas, Parada Braga, Chiador Estação, Santa Fé e Penha Longa. Foi lá que morou o Barão de São Geraldo, proprietário da antiga Fazenda Santo Antônio da Cachoeira e diretor de Estrada de Ferro Pedro II.

 

Sapucaia

Estação Sapucaia - reproduçãoCom a origem do nome devido à existência de grande quantidade de árvores conhecidas por sapucaias, que têm origem no termo indígena yaçapucaí, o município de Sapucaia, no Rio de Janeiro, possui uma população de pouco mais de 17 mil habitantes segundo o censo do IBGE de 2010.

Com quatro distritos, Jamapará, Anta, Aparecida e Volta do Pião, o município já não possui atualmente tantos exemplares que batizou a cidade.

Habitada inicialmente pelos índios Puris, a cidade recebeu primeiramente colonizadores de origem europeia no início do século XIX. A ocupação se efetuou quando Antônio Inácio Lemgruber e Vicente Ubherlato foram à região tomar posse das sesmarias que lhes foram concedidas, ainda fazendo parte de Nova Friburgo. Por iniciativa de Antônio Inácio Lemgruber, construiu-se uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 1842, a localidade recebeu o título de freguesia.

A rapidez com que o povoado prosperou o levou a atingir, em 1871, o predicativo de Freguesia de Santo Antônio de Sapucaia e, em 1874, a categoria de Vila de Sapucaia, constituindo-se sede do novo município, instalado em 1875.

O desenvolvimento da sede municipal remonta ao período de implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II em 1871 quando uma estação intermediária do ramal de Porto Novo do Cunha impulsionou o crescimento da vila. O segundo momento de crescimento deu-se com a implantação da BR-393.

 

Três Rios

Segundo dados do IBGE de 2010, Três Rios, no Rio de Janeiro, possui quase 85 mil habitantes. Em uma área estratégica a cidade é cortada por duas grandes rodovias federais, fazendo com que Três Rios tenha o maior entroncamento rodoviário do país. Seu acesso às grandes cidades é feito através das rodovias BR-040 e BR-393.

A referência mais remota sobre o território do município data do início do século XIX, quando Antônio Barroso Pereira obteve, por requerimento , em 1817, “terras de sesmaria no sertão entre os rios Paraíba e Paraibuna…”.

Em 1861 foi inaugurada a rodovia União-Indústria (que ligava Petrópolis a Juiz de Fora) e que passava pelas terras. Essa rodovia contou com grande colaboração do fazendeiro e, por esse motivo, o imperador Pedro II agraciou-lhe, em 1852, com o título honorífico Barão de Entre-Rios. Ainda em sua homenagem à estação rodoviária local, foi dado o nome de Estação de Entre-Rios. Com o batismo da estação não tardou que o pequeno povoado, formado às margens da rodovia, passasse a ser conhecido como Entre-Rios.

Os trilhos da Estrada de Ferro D. Pedro II chegaram à região em 1867 e, tal a rodovia, essa ferrovia recebeu o importante apoio do Barão que, falecido em 1862, transmitiu sua fazenda para a filha Mariana Claudina Pereira de Carvalho, feita Condessa do Rio Novo em 1880.

Viúva e sem filhos, a Condessa, faleceu em 1882, deixando a fazenda de seu pai para a obra assistencial com a recomendação de que “as terras próximas à Estação de Entre-Rios”, poderiam ser aforadas para os que ali quisessem residir. Tratava com essa recomendação de garantir recursos perpétuos à futura Casa de CaridadedeParaíba do Sul.

Já reconhecido como importante entroncamento rodoferroviário da região, em 1890 o povoado foi elevado a 2º Distrito de Paraíba do Sul, e em 1938, o distrito conseguiu a sua emancipação político-administrativa.

Por ter o mesmo nome de alguns outros municípios brasileiros, órgãos federais obrigaram as autoridades locais a rebatizar a cidade, que a partir de 1943, passou a chamar Três Rios, graças aos três mais importantes rios que cortam o seu território, Paraíba do Sul, Piabanha e Paraibuna.

 

Fonte: Entre Rios Jornal